Primeira noite do festival PIN lota o Banco do Nordeste Cultural

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Foto: Divulgação 


Sucesso na primeira noite do novo festival Ponte Instrumental Nordeste - PIN, no Banco do Nordeste Cultural. Não teve cansaço pós carnaval que impedisse o público de lotar o teatro na noite desta quinta-feira, 19/2, para os belíssimos shows de Luccas Martins com o Siará Quarteto e da Orquestra Cabulosa convidando o clarinetista Caetano Brasil. 


Os ingressos se esgotaram e o público recebeu de forma extremamente atenta e carinhosa os dois shows da noite, com muitos mestres. A gestora do Banco do Nordeste Cultural, Jaqueline Medeiros, esteve presente e recebeu um agradecimento especial dos músicos, incluindo um dos idealizadores e produtores do festival, o pandeirista Tauí Castro, que integra a Orquestra Cabulosa. 


A equipe técnica, os produtores, os músicos, toda a imprensa, todos das redes sociais, os trabalhadores e trabalhadoras da cultura e, em especial, o público receberam um agradecimento especial e desejos entusiasmados de um ótimo festival, começando com casa cheia, mesmo um dia após o Carnaval. Qualquer sinal de cansaço pós folia deu lugar a muito entusiasmo diante da oportunidade de conferir ótimos shows.


"É muita gente trabalhando desde cedinho, e nesta sexta tem mais festival. Estou muito feliz, muito grato pela presença de todos e todas. Encher esse teatro aqui na quinta-feira, depois do carnaval, é a minha maior vitória. Muito obrigado, só quero agradecer", ressaltou Tauí, destacando a ponte com músicos de diversos estados, em Fortaleza. 


"Não é fácil fazer música instrumental. A gente precisa muito do apoio do poder público e agradece muito iniciativas como essa, com o Banco do Nordeste Cultural. Agradeço à Jaqueline Medeiros e ao André Marinho, que foi também ponte para que isso pudesse acontecer. E a todos os músicos", acrescentou, citando os colegas da Orquestra Cabulosa, que contou com a participação da jovem violonista Letícia Marram e com uma provocação feita pelo clarinetista Caetano Brasil.


"Quantas mulheres você admira? Não tô falando da sua mãe, da sua esposa, da sua irmã. Quantas mulheres você admira, simplesmente pelo que são? Na música, na arte, na ciência? Tem músico aqui? Tem mais músicos na plateia? Quantas mulheres tem na sua banda? Quantas mulheres tem no seu repertório?", questionou.


"No meu tem poucas. Mas toda vez que eu acordo, todo dia que passa, toda vez que eu subo ao palco, é uma oportunidade de começar a mudar isso um pouquinho", disse, antes de tocar "Elusive dream", "o sonho indecifrável da maravilhosa Toshiko Akiyoshi". Duke Ellington (com "Caravan"), Moacir Santos (com a "Coisa No. 5, Nanã") e Dizzy Gillespie, com "A night in Tunisia", foram outros compositores contemplados no show de Caetano e Orquestra Cabulosa, além de músicas do próprio Caetano. 


Tudo com arranjos grandiosos e detalhados, assinados pelo trombonista Thesco Carvalho, e com o brilho de Caetano no clarinete e na forte presença de palco, ao lado dos mestres Tito Freitas (teclado), Lu D´Sosa (guitarra), Juvêncio Linhares (contrabaixo), Ian Calíope (flauta), Ray Douglas (trompete) e Thiaguinho Silva brilhando muito nas percussões.


Na plateia, muitos músicos se fizeram presentes também, prestigiando o início do novo festival. Entre eles a cantora e violonista Cris Fiúza, o guitarrista e compositor Pedro Akilla, o bandolinista, compositor e arranjador Pedro Madeira, o cantor, compositor, violonista e produtor cultural Isaac Cândido, a cantora alemã Sabine, além do saxofonista Esdras Nogueira e grupo, atrações da noite desta sexta, no festival.


Confira a programação de sexta e sábado


Nesta sexta-feira, 20/2, a programação continua, com Selestrial e Esdras Nogueira, em shows a partir das 19h. No sábado, 21/2, também a partir das 19h, acontecem os shows do guitarrista Luciano Magno e dos cavaquinistas Luiz José e Pablo Dias. Tudo com entrada franca, com o público podendo retirar ingressos no site/aplicativo Outgo.


Nesta sexta, 20/2, também haverá as masterclasses do festival, assim como na primeira tarde do evento. 


Das 14h às 15h45, Esdras Nogueira fala sobre como colocar trabalhos musicais na estrada. Um encontro sobre circulação, estratégias e experiências para artistas que desejam ampliar o alcance do seu trabalho no Brasil e no exterior.


Das 16h às 17h45, Luccas Martins aborda a produção musical contemporânea e o artista independente. Uma conversa sobre criação autoral, identidade artística, produção independente e circulação da música, em diálogo com ritmos afro-brasileiros e a música instrumental contemporânea.


Luccas Martins e Siará Quarteto: "handpan" e alumbramento


O primeiro show da quinta-feira, também com grande público no Banco do Nordeste Cultural, ficou marcado pelo alumbramento do público com a música de Luccas Martins (ES), compositor, multi-instrumentista, arranjador, pesquisador e performer, que tocou uma vasta quantidade de instrumentos, com destaque para o "handpan", um pequeno "disco voador" metálico que mistura harmonia, melodia, percussão e muitos harmônicos, em uma sonoridade instigante, cativante e bem diferente.


Luccas se apresentou juntamente com o Siará Quarteto, formação que conta com dois violinos, uma viola e um violoncelo. Luis Gustavo Lima, Diego Cavalcante, Rélmerson Lima e Rondinelly Bezerra. Com arranjos enviados previamente por Lucas, o grupo se preparou para a apresentação, que ganha cores próprias e inesperadas, a partir do encontro, do coletivo e das personalidades individuais, após poucos ensaios, explicou Luccas, que abriu o show com "Among tropics" e detalhou como costuma realizar o trabalho em diálogo com orquestras e diversas formações, combinando o "handpan" (instrumento jovem, inventado em 2000), com diferentes grupos. Como a Orquestra Filarmônica Afro-brasileira, de São Paulo, com a qual apresentou o concerto "Handpan Brasileiro: Ancestral e Sinfônico". 


O choro ganhou destaque com "Acaiá", mostrando a versatilidade de Luccas, também no pandeiro e no berimbau, ao lado das cordas do Siará Quarteto. "Piru-piru" e "Lagoon" foram outros temas próprios em que a presença do handpan com as cordas e os arranjos e ritmos brasileiros arrebataram o público, de forma quase hipnótica, com muita sensibilidade e delicadeza. Com direito a Luccas falando sobre como costuma realizar gravações em meio à natureza, com cuidado para captar os sons de espaços como florestas, e adiantando que seu próximo trabalho será lançado neste primeiro semestre, com direito a finalização nos antológicos estúdios de Abbey Road, em Londres. Luccas também agradeceu aos idealizadores do PIN e a toda a equipe técnica, desejando vida longa ao novo festival.


PIN: um novo festival valorizando a música instrumental


No mapa da música instrumental brasileira, um novo ponto de conexão, com Fortaleza como o epicentro em que se cruzam as rotas sonoras do País. No rescaldo do Carnaval, quando os tambores se calam e a cidade respira, surge um novo ritmo. Não é o fim da festa, mas o início de outro encontro — mais íntimo, mais profundo. O PIN se ergue como, mais que um festival, um ponto de encontro no mapa musical do Brasil. 


PIN é ponte. É o abraço entre o regional e o nacional, entre o que se cultiva nos interiores e o que ecoa nos centros. É o lugar em que guitarras, violões, sopros e percussões conversam sem pressa, criando um diálogo que ultrapassa fronteiras geográficas e estéticas. Aqui, o instrumental não é apenas gênero — é linguagem viva, em constante transformação.


Cada noite é uma travessia. Artistas que chegam de longe encontram raízes locais; sons do cerrado mineiro se fundem ao balanço do litoral; o experimentalismo do Planalto Central dança com a guitarra que já foi baiana e hoje é universal. O Ceará, com sua tradição musical forte e diversa, funciona como anfitrião e catalisador desses encontros.


“Mais do que apresentar shows, o PIN propõe experiências sonoras únicas. É a celebração do momento em que artistas se encontram pela primeira vez no palco, da descoberta de afinações imprevistas, da música que nasce no agora e nunca mais se repetirá”, destaca Tauí Castro, curador e coordenador de produção do projeto.


“É a beleza do efêmero, do que só acontece quando se cria espaço para o novo. É a busca de um lugar na memória afetiva de quem crê na música como território de encontro. E no Nordeste como farol criativo do Brasil”, ressalta.

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