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| Foto: Divulgação |
No sábado (28), o Museu da Fotografia Fortaleza (MFF) abre ao público, em seu segundo piso, a exposição “Ucrânia: De Donbas a Kiev, 12 anos de guerra”.
A mostra, assinada pelo fotógrafo e jornalista Yan Boechat, com curadoria de Fernando Costa Netto, reúne cerca de 60 imagens e propõe uma experiência imersiva e impactante sobre um dos conflitos mais brutais do século XXI. Mais do que um registro histórico, a exposição convida o público a uma presença sensível e reflexiva diante das consequências humanas da guerra.
A abertura da exposição integra a programação comemorativa pelos nove anos do museu. A mostra segue em cartaz até agosto de 2026.
O percurso expositivo é estruturado como uma travessia emocional em três atos. No primeiro, o silêncio domina, com fotografias em preto e branco, feitas com uma Rolleiflex analógica, desaceleram o olhar e devolvem à guerra uma dimensão quase suspensa no tempo. Aqui, cada imagem é pausa, peso e permanência, um convite a encarar o detalhe e a densidade do que muitas vezes passa despercebido.
Em seguida, a exposição atinge seu ápice. Em cores, sem filtros e sem concessões, Boechat captura o instante exato da guerra acontecendo. Soldados avançam sob fogo, explosões rasgam o horizonte, blindados cruzam territórios devastados. Não há distanciamento possível. A guerra não é sugerida, ela se impõe.
Mas é no terceiro ato, a exposição mergulha na iconoclastia da guerra. Monumentos soviéticos sendo derrubados revelam uma disputa que extrapola o campo de batalha: a tentativa de reescrever a história, apagar símbolos e reconstruir identidades. Não são apenas estátuas que caem, são narrativas inteiras que entram em colapso.
Na série “A Guerra em Cores”, a cor deixa de ser estética e se torna impactante. Está na poeira que sobe após o ataque, no brilho cortante do metal, na fumaça densa que encobre o céu, na luz dura que atravessa o caos. São imagens captadas no limite do instinto, fragmentos de segundos decisivos que colocam o espectador dentro do conflito, não como observador, mas como testemunha.
Com passagens por zonas de guerra como Iraque, Síria e Afeganistão, e presença constante na cobertura da invasão iniciada em Donbas em 2014, Yan Boechat constrói aqui um dos registros mais contundentes de sua trajetória. Seu trabalho não documenta apenas a destruição, ele busca, em meio aos escombros, aquilo que ainda resiste: o humano.
Ao trazer essa exposição para Fortaleza, o MFF não apenas celebra seus nove anos, reafirma sua vocação como espaço de pensamento crítico e conexão com o mundo. Em tempos de excesso de imagens e anestesia coletiva, a mostra rompe a superfície: convoca o olhar, tensiona o corpo e devolve à fotografia seu poder mais essencial, o de não nos deixar esquecer.
Sobre o fotógrafo
Yan Boechat é um dos mais proeminentes jornalistas e fotógrafos de conflito brasileiros da atualidade. Com uma trajetória marcada por coragem e rigor documental, especializou-se na cobertura de crises humanitárias e zonas de guerra, levando sua lente a alguns dos cenários mais complexos do mundo, como Iraque, Síria, Afeganistão, República Democrática do Congo e Gaza.
Desde 2014, com o início dos combates na região de Donbas, acompanha de perto a guerra na Ucrânia, retornando diversas vezes ao país para documentar a evolução de um conflito marcado por perdas humanas devastadoras. Seu trabalho busca, acima de tudo, revelar o que permanece humano em meio ao colapso.
Serviço
Exposição: Ucrânia: De Donbas a Kiev, 12 anos de guerra
Local: Museu da Fotografia Fortaleza (2º piso)
Endereço: Rua Frederico Borges, 545 – Varjota, Fortaleza – CE
Abertura: 28 de março de 2026
Período: até agosto de 2026
Visitação: Terça a Domingo de 12h às 17h.
