Exposição “Bloco do Prazer” segue em cartaz até 17 de maio

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Foto: Afonso Pimenta 

A exposição “Bloco do Prazer” segue em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE), no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza. Com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e realização do Ministério da Cultura, Instituto Dragão do Mar, MAC-CE, Centro Dragão do Mar e Secretaria da Cultura do Ceará, o projeto integra o projeto “Cultura nas Trincheiras da Alegria”. Com acesso gratuito, a mostra entra em suas últimas semanas e permanece aberta ao público até maio, propondo uma leitura ampliada do Carnaval como linguagem estética, prática coletiva e expressão política no Brasil contemporâneo.


O investimento integra a estratégia da Petrobras de valorizar a cultura brasileira por meio de iniciativas que promovam ampliação do acesso, diversidade, memória e inovação artística em diferentes territórios do país. “Com ‘Bloco do Prazer’, a Petrobras contribui para ampliar o alcance de uma exposição que posiciona o Nordeste e, em especial, o Ceará, como um centro ativo de produção simbólica, pensamento crítico e experimentação estética”, comenta Alessandra Teixeira de Teixeira, gerente de patrocínios e eventos da Petrobras.


A mostra reúne 220 obras e articula diferentes gerações, linguagens e acervos. O recorte curatorial evidencia a força da produção regional, com a participação de 33 artistas cearenses e 30 nomes de outros estados nordestinos, além de trabalhos contemporâneos que investigam corpo, som, rito, movimento e a ocupação da rua como campo de criação. Completam o conjunto 10 coleções e acervos que conectam experiências locais a narrativas de alcance nacional.


Entre os destaques da exposição, está o “Penetrável da Gal”, de Hélio Oiticica, uma instalação imersiva que convida o público a atravessar e habitar a obra, ampliando a dimensão sensorial e participativa da arte. Criado em 1969, o trabalho integra a série “Penetráveis” e homenageia a cantora Gal Costa, com quem o artista manteve uma relação próxima, diálogo que evidencia a interseção entre artes visuais e música no contexto tropicalista.


A mostra também apresenta peças como “Cazumbas”, do fotógrafo Márcio Vasconcelos, que registra personagens do bumba meu boi maranhense, e fantasias criadas por Clóvis Bornay, figura central dos bailes de gala cariocas. Outro ponto de atenção é a fotografia “Aniversário de 6 anos da Renatinha”, de Afonso Pimenta, imagem emblemática que traduz, com delicadeza, as tensões entre desigualdade social e celebração popular, algo presente também na obra “Deixa os garoto brincar”, da artista cearense Alexia Ferreira, que apresenta o brincar como gesto coletivo e expressão de liberdade no cotidiano.


Inspirada na canção “Bloco do Prazer” (1978), de Fausto Nilo e Moraes Moreira, eternizada na voz de Gal Costa, a exposição toma a ideia de celebração como um estado de sensibilidade, pertencimento e invenção. As obras apresentadas incluem pinturas, fotografias, objetos, documentos históricos, instalações e registros de festas populares, com forte presença de expressões afro-indígenas, manifestações religiosas e cortejos urbanos, revelando continuidades entre arte, ancestralidade e modos de vida.


Organizada em núcleos conceituais, a exposição aborda temas como corpo e arquivo vivo, memória transmitida pela presença, festa como experiência encarnada e a cidade como território de disputa simbólica. Nesse contexto, a rua surge como espaço de visibilidade, confronto e construção coletiva, evidenciando o Carnaval como prática que articula estética e política.


Ao longo da história brasileira, o Carnaval se consolida como uma das mais potentes formas de resistência cultural, especialmente entre populações atravessadas por processos de apagamento e violência. Em “Bloco do Prazer”, o ato de celebrar é projetado como patrimônio vivo e tecnologia comunitária capaz de imaginar futuros possíveis.


A exposição também dialoga com a recente requalificação do entorno do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, que ganhou novas áreas de convivência e circulação. A intervenção reforça o complexo como um dos principais pólos culturais do país e amplia sua vocação como espaço de encontro entre arte, cidade e vida pública.

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